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Gabriel Azevedo - Fazer diferente, fazer diferença!

26 de junho de 2017

Breder

Batemos um papo com Gabriel Azevedo, e é verdade, ele tem feito diferença! { E muita } 

Nasce um nova Beagá, a partir de uma nova política?

Sou meio contrário ao termo nova política. Gosto de dizer que a política pode ser boa ou ruim e isso é atemporal. Há algumas coisas atuais que são muito boas e outras que não diferem em nada de modelos que estão se perpetuando há muito tempo. Então, eu gosto de boas práticas na política e tento aglutinar pessoas nesse sentido. Se você ver um time que, a despeito de ideias distintas, começa a atuar, ainda que não coordenadamente, por uma política que seja boa, você obviamente cria um ambiente para uma boa cidade. A política é, inclusive, uma palavra que surge disso: na Grécia antiga, para falar de pólis e o cuidado com a cidade. Então, bons políticos, não necessariamente novos políticos, com certeza podem representar um tempo muito bom para Belo Horizonte.

Como você encara a responsabilidade de saber que inspira novas jovens lideranças da cidade?

Acho que um termo que pode ser utilizado em minha trajetória é "tecelão de redes". Quando eu estava na faculdade de direito, as pessoas, meus colegas se referiam a mim como "Gabriel Político", porque eu destoava um pouco de outros por estar sempre envolvido nessa temática, na política. A internet ainda não era um espaço tão utilizado pra isso. Hoje ela tem, de fato, um papel fundamental, sobretudo a internet móvel, os grupos de whatsapp. Mas eu era identificado de fato como alguém afeito a esse tema. Toda vez que você se destaca por alguma coisa, ou chama atenção por algo, isso eu aprendi sobretudo no Colégio Militar, você atrai manifestações, sejam elas positivas, sejam elas negativas. E eu encaro isso de uma maneira muito tranquila: só não é criticado ou admirado quem não é visto ou não é lembrado. Então eu acho que há muito tempo eu debato política, me posiciono. Me considero muito autêntico com relação ao que penso ou falo, e isso vai aglutinando. A medida que o brasileiro foi se interessando mais pela política - destaco aí as manifestações de 2013 - quando surgiram muitas pessoas, eu já estava nessa há muito tempo, desde 2006, acredito. Já são quase 11 anos. Para quem tem 30 é muito tempo. Tento sempre ter um debate de alto nível. E eu acho que as pessoas encontraram nisso um espaço de convivência. Minha página no Facebook é hoje isso: um ambiente para falar de política.

Todo mundo me pergunta qual o principal objetivo que eu tenho com o meu mandato e eu digo sempre que é fazer as pessoas acreditarem em política. Fazer todo mundo entender que essa é a única ferramenta possível. Se eu for catalisador de um movimento que faça muita gente disputar um mandato, esse é sim o objetivo. É através da política institucional que a gente muda. No carnaval fui parado por diversas manifestações positivas que diziam "Estou acompanhando o seu trabalho", tanto de eleitores quanto de gente que não votou em mim. Essa ideia de envolver as pessoas e dizer: para de ser espectador, política não é futebol onde você fica na arquibancada observando - todo mundo entra em campo. As pessoas esperam muito de mim. Se eu cometer um erro, será muito pior do que alguns outros políticos, dos quais as pessoas não esperam nada. Eu sinto isso e não pretendo deixar de corresponder esta expectativa.

Para fechar sobre política. É isso mesmo que você esperava no dia a dia da atividade parlamentar na CMBH? Dá mesmo pra fazer a diferença sem se moldar aos velhos interesses?

Não é o que eu esperava. Estou surpreso com algumas coisas. A participação dos cidadãos no meu mandato está bem maior do que eu poderia calcular e isso é muito legal. A quantidade de vereadores que eu encontro que são bem intencionados é bem significativa. Encontrei um ambiente favorável, há um interesse geral da população pelo que acontece. Então estou esperançoso.

Conte para os sócios Amo Beagá, o que Gabriel Azevedo ama e gosta de fazer nas horas vagas em nossa cidade?

Eu, de fato, amo Belo Horizonte. Gosto muito de ter coisas nessa vida: viajar - amo conhecer o novo -, cultivar os amigos e adquirir conhecimento. Quando viajo eu tento absorver a cidade. Então, sobretudo, eu gosto de caminhar. Muitas pessoas tem esse comportamento quando viajam, mas tem um comportamento diferente em sua própria cidade. Como turista descobrem um novo restaurante durante uma caminhada, visitam um museu, prestigiam um empreendimento que chamou sua atenção. Mas, às vezes, aqui, em sua cidade, o costume é se trancar, não conhecer nada. Não se entregar para a cidade. Belo Horizonte é uma cidade a qual vale a pena se entregar. Eu digo isso pois, por exemplo, gosto de caminhar por Belo Horizonte. A pé e de bicicleta. Estou sempre adimirando o que as calçadas tem a oferecer. Então quando abre um empreendimento como este em que estamos durante a nossa conversa - A Pão de Queijaria - eu penso: "Opa! Posso marcar um reunião aqui ao invés de marcá-la dentro do meu gabinete". A Savassi é repleta de lugares deliciosos para visitar.: cafés com música ao vivo, feiras, festivais gastronômicos.

BH tem um ingrediente que é diferente de muitos lugares do mundo: a interação social. Quando você senta em um bar,  a mesa do lado pode interagir com você de um jeito que em outros lugares do mundo isso não vai acontecer. Você terá um serviço legal, será bem tratado. De barbearias à cervejarias, de produtos locais à uma excelente culinária, de produtos manufaturados aqui aos novos empreendimentos. BH tem muito a oferecer. Inclusive, podemos agregar mais turismo a isso. O carnaval é um belo exemplo disso. BH tem uma capacidade incrível de conectar gente e tem muitos lugares que fazem isso em nossa cidade.

Nós do Amo Beagá acreditamos e queremos muito uma cidade mais conectada e humana. Nesse processo de construção, como você imagina Belo Horizonte daqui a 5, 10 anos?

Nós vamos completar 120 anos de capital em 2017. Uma cidade basicamente construída para ser um centro burocrático. Logo em suas primeiras décadas, na década de 20, você tinha entre as esquinas de Tupis, Bahia e Afonso Pena o Café do Ponto que reunia pessoas como Drummond, trazendo para Belo Horizonte o centro do pensamento do país. O quê que ela tinha de diferente? Gente. E essa gente soube participar.

Essa é uma aposta: se nós na Câmara fizermos a nossa parte, se as pessoas começarem a se envolver, talvez daqui cinco ou dez anos eu abra a janela do meu apartamento, no centro da cidade, e eu observe o edifício Sudecap/Sulamerica, um prédio fundamental para a história arquitetônica da cidade, completamente recuperado, um celeiro de empreendedorismo que passe a chamar a atenção das pessoas pela beleza, e não pelo descaso. Vou começar a ver a Praça Sete como um grande ponto de conexão, de mobilidade urbana, longe de ter um engarrafamento, pois as pessoas vão entender que elas são o trânsito e vão passar a exigir mais da prefeitura um transporte de qualidade. Eu também vou ver, se tudo der certo, ninguém tendo dificuldade para abrir um negócio. Se há um potencial que BH é tem é o de serviço, e serviço de qualidade. Nossas ruas não vão virar um deserto a noite. Ninguém vai ter que destruir o seu sonho com seis meses de negócio, pois o ambiente para investir e empreender aqui vai ser possível.

Também tenho meus sonhos mais ousados: quero uma cidade mais sustentável. Sustentabilidade e meio ambiente. Se o empreendedorismo penetrar nas escolas a gente vai trabalhar por uma geração que daqui 20 anos vai transformar a cidade ainda mais. Eu acho que Belo Horizonte pode cumprir um destino. Isso sim está na planta do Aarão Reis: ser uma cidade que faz sentido. Quando a cidade foi planejada ela tinha muito a oferecer para a época na qual foi criada. E eu acho que esse objetivo não foi levado à risca com as décadas que foram vindo. Cabe a uma geração que compreenda isso tocar a cidade em um rumo essencialmente positivo. E não é só um vereador, ou quarenta vereadores, ou o prefeito que fazem essa diferença. Elas fazem muito, mas só o engajamento de cada cidadão é que vai permitir a mudança. O mais legal é conviver. Vou fazer tudo no meu alcance para que tenhamos uma cidade hiper conectada, no aspecto da tecnologia e social. Acredito que o diálogo vai nos levar para um lugar melhor. BH em cinco ou dez anos vai ter muito para mostrar para o Brasil.

São iniciativas como o Amo Beagá, que enxergam o potencial desperdiçado da cidade, que fazem com que ela saia da zona de conforto. Se a pessoa recebe um atrativo para consumir, um atrativo inteligente, faz o capital girar, os negócios e as conexões acontecerem, a gente só tem a aplaudir.